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28 A 31 DE OUTUBRO DE 2026

Ativo 6

” O QUE A TERRA NÃO ESQUECE”

O sertão não é um cenário, mas uma epiderme. Nele, a terra se abre em uma pele áspera de espinhos e flores da caatinga, suas serras são a coluna vertebral que sustenta o céu, matas que crescem como pêlos, açudes que armazenam águas que circulam do interior ao mar, como veias que desaguam no coração do mundo. Mais do que um palco das ações humanas, a terra, neste festival, é compreendida como corpo, arquivo, testemunha e espaço de disputa.

O solo guarda marcas que a história oficial, muitas vezes, prefere apagar. Ele preserva os gestos de indivíduos e grupos que teceram sua resistência no silêncio do cotidiano; conserva o calor de fogueiras ancestrais que ainda queimam nas rezas e oferendas; mantém íntegras as sementes imemoriais plantadas por mãos que a seca não venceu; carrega, em sua arqueologia, os conflitos e amores de um povo que aprendeu a sonhar em cima da terra.

Se o corpo-gaia nos alerta diariamente de seu estado enfermo com as crises climáticas, dadesertificação acelerada por apropriações e guerras, do apagamento das culturas tradicionais, da desorientação do pensamento crítico diante das acelerações das telas; perguntar sobre o que a terra lembra é um ato político. É debater o esquecimento imposto pelas narrativas hegemônicas. É afirmar que o ontem ainda pulsa no hoje, e que o amanhã só será possível se resgatarmos, coletivamente, as raízes ainda vivas e úmidas sob a crosta seca.

A fotografia, nesse contexto, mais do que um registro é um ato de escavação, uma abertura consciente na fenda do tempo, uma recusa da desmemória diante do que o tempo soterrou. Convidamos vocês a nomear, documentar e fabular através da fotografia tudo aquilo e aqueles dos quais “a terra não esquece”. Esperamos imagens que dialoguem com: a) o que a terra guarda ou o passado que insiste em se fazer presente; b) o que a terra recria, renova, reinaugura; c) o que a terra sonha: os encantados, as visões, os sonhos em vigília.

O QXAS Festival de Fotografia do Sertão Central 2026 provoca-nos a pensar e mostrar o que a terra insiste em lembrar. Ao fazer isso, celebramos a fotografia como força estética que instaura outros campos, promove o debate democrático, valoriza a diversidade de olhares, engrandece as existências e as resistências no solo-corpo-casa-vastidão terrena.

Bem-vindas, bem-vindos, bem-vindes,
Ao que a terra não esquece.
Ao chão que sonha.

Curadores

Fernanda Siebra
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Fernanda Siebra

Fernanda Siebra é fotógrafa, pesquisadora e jornalista. Acende palitos, investiga cascas e maneiras de contar o tempo. Pesquisa as origens do fotojornalismo brasileiro a partir de imagens da Seca no Ceará no século XIX. Atualmente é fotógrafa do Instituto Mirante de Cultura e Arte. Foi fotógrafa e editora do Núcleo de Audiovisual do Sistema Verde Mares. Foi curadora da exposição “Onde guardaremos este instante de alegria?”, no Fotofestival Solar 2024. Participou do 72° e 75° Salão de Abril (2021/2024), do Festival Solar (2018/2022), do Maré Foto Festival (2020) e do Festival Efêmero (2021/2023). Compõe o Painel da Fotografia Cearense Contemporânea e o Projeto Maracatu Rito e Ritual (2020/2021).

Michelle Maciel
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Michelle Maciel

Gestora Executiva na Casa de Saberes Cego Aderaldo, especialista em Gestão Cultural, Associada a Apan (Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro), Realizadora, Produtora Audiovisual, cineclubista, experiência em coordenação de festivais de cinema, assistência de direção e produções audiovisuais, já coordenou a Escola de Cinema do Sertão, integrou o projeto de extensão NAVI (Núcleo de Pesquisa e Experimentos audiovisuais do IFCE). Coordenou Cineclube “Comer com os Olhos”, integrante do Cinema Instantâneo, diretora do filme Umbilical (em finalização).

Rafael Vilarouca
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Rafael Vilarouca

Nascido em Icó (CE), o artista visual e fotógrafo vive em Juazeiro do Norte (CE), atuando atualmente sobretudo com cinema. É graduado em Artes Visuais e Direito pela Universidade Regional do Cariri (URCA), mestre e doutorando em Linguagens Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Participou do Laboratório de Criação do Porto Iracema das Artes (2016), da residência “O Álbum é a Obra” (2021), promovida pelo Instituto da Fotografia do Ceará (Ifoto), e da Residência Artística e Pesquisa (2023), idealizada pelo Sobrado Dr. José Lourenço (Fortaleza-CE). Foi premiado no 66º Salão de Abril (2015). Entre 2009 e 2014, integrou o Coletivo Café com Gelo, realizando diversas ações e exposições dentro e fora do Cariri. Realizou mostras individuais como Babel (Casa Fiat de Cultura), “Quando o passado for presente lembra-se de mim no futuro” (V QXAS – Festival de Fotografia do Sertão Central, SESC Juazeiro do Norte, MAC-CE, Vila da Música por meio do programa Temporada de Arte Cearense, SESC Palmas-TO), Desindústria (MAC-CE, SESC Crato, CCSP, CCBNB Cariri) e Corpo Santo (Sobrado José Lourenço, ONG Beatos, SESC Juazeiro), entre outras participações e exposições coletivas.