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EDIÇÃO 2025

Paisagem de Dentro.

Guimarães Rosa escreveu, em Grande Sertão: Veredas (1956), que “o sertão é dentro da gente”. Agnès Varda, por sua vez, enquanto caminha entre espelhos dispostos sobre a areia, no filme As Praias de Agnès (2008), afirma: “se abríssemos as pessoas, encontraríamos paisagens”. Em comum, ambos ultrapassam o visível para explorar o relevo do mundo interior — um território onde a memória ressoa e molda a paisagem. A partir desse desejo de investigação, o Festival Qxas convida fotógrafos e artistas visuais a participarem da convocatória Paisagens de Dentro, exposição coletiva que acontecerá em Quixadá durante a programação do evento em 2025. 

Partimos da ideia de que a paisagem é tanto o que se vê quanto aquilo que nos forma: é meio e matéria, superfície e profundidade. Mais do que um dado natural, a paisagem é uma construção simbólica, sensível e histórica — uma inscrição viva de memórias, afetos e temporalidades. Nesse contexto, na exposição coletiva Paisagens de Dentro buscamos obras que não apenas representem o espaço visível, mas que testemunhem experiências vividas ou imaginadas, e que toquem aquilo que ainda pulsa sob os territórios.

A convocatória propõe olhar o mundo de dentro — como quem escava sentidos em paisagens reais e simbólicas, nos objetos de uso cotidiano, nos arquivos familiares e domésticos, nos espaços em ruína ou transformação, nas tradições locais e nas narrativas orais, nas festividades populares e suas coreografias. Buscamos fotografias que toquem o íntimo e ressoem em silêncio, evocando aquilo que não pode — ou não deve — ser esquecido.

Em Paisagens de Dentro, as imagens não são apenas cenários, mas camadas de tempo atravessadas por apropriações, deslocamentos, interferências e fabulações. A exposição é, portanto, um convite a pensar o visível através do sensível — a olhar não apenas para o que se apresenta diante dos olhos, mas também para aquilo que vibra por trás das aparências. A partir de práticas artísticas e documentais, da materialidade das imagens e da intimidade dos arquivos, buscamos fotografias e obras híbridas que atuem como vestígios, camadas e inscrições de territórios vivos — inventados, vividos ou sonhados.

Curadores

Fernanda Siebra
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Fernanda Siebra

Fernanda Siebra é fotógrafa, pesquisadora e jornalista. Acende palitos, investiga cascas e maneiras de contar o tempo. Pesquisa as origens do fotojornalismo brasileiro a partir de imagens da Seca no Ceará no século XIX. Atualmente é fotógrafa do Instituto Mirante de Cultura e Arte. Foi fotógrafa e editora do Núcleo de Audiovisual do Sistema Verde Mares. Foi curadora da exposição “Onde guardaremos este instante de alegria?”, no Fotofestival Solar 2024. Participou do 72° e 75° Salão de Abril (2021/2024), do Festival Solar (2018/2022), do Maré Foto Festival (2020) e do Festival Efêmero (2021/2023). Compõe o Painel da Fotografia Cearense Contemporânea e o Projeto Maracatu Rito e Ritual (2020/2021).

Michelle Maciel
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Michelle Maciel

Gestora Executiva na Casa de Saberes Cego Aderaldo, especialista em Gestão Cultural, Associada a Apan (Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro), Realizadora, Produtora Audiovisual, cineclubista, experiência em coordenação de festivais de cinema, assistência de direção e produções audiovisuais, já coordenou a Escola de Cinema do Sertão, integrou o projeto de extensão NAVI (Núcleo de Pesquisa e Experimentos audiovisuais do IFCE). Coordenou Cineclube “Comer com os Olhos”, integrante do Cinema Instantâneo, diretora do filme Umbilical (em finalização).

Rafael Vilarouca
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Rafael Vilarouca

Nascido em Icó (CE), o artista visual e fotógrafo vive em Juazeiro do Norte (CE), atuando atualmente sobretudo com cinema. É graduado em Artes Visuais e Direito pela Universidade Regional do Cariri (URCA), mestre e doutorando em Linguagens Visuais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Participou do Laboratório de Criação do Porto Iracema das Artes (2016), da residência “O Álbum é a Obra” (2021), promovida pelo Instituto da Fotografia do Ceará (Ifoto), e da Residência Artística e Pesquisa (2023), idealizada pelo Sobrado Dr. José Lourenço (Fortaleza-CE). Foi premiado no 66º Salão de Abril (2015). Entre 2009 e 2014, integrou o Coletivo Café com Gelo, realizando diversas ações e exposições dentro e fora do Cariri. Realizou mostras individuais como Babel (Casa Fiat de Cultura), “Quando o passado for presente lembra-se de mim no futuro” (V QXAS – Festival de Fotografia do Sertão Central, SESC Juazeiro do Norte, MAC-CE, Vila da Música por meio do programa Temporada de Arte Cearense, SESC Palmas-TO), Desindústria (MAC-CE, SESC Crato, CCSP, CCBNB Cariri) e Corpo Santo (Sobrado José Lourenço, ONG Beatos, SESC Juazeiro), entre outras participações e exposições coletivas.

PROGRAMAÇÃO

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QXAS – Edição 2025

Lista de fotógrafos selecionados

Água Viva (CE)

Alison de Castro (CE)

Amanda Pedrosa (CE)

Ana Sabiá (SC)

Annete Owatari (SC)

Arnaldo Saldanha (DF)

Barbara Lissa (MG)

Beatriz Boblitz (CE)

Beatriz Souza (CE)

Beto Filgueroa (PE)

Carolina Krieger (SC)

Cesare Simioni (BA)

Dani Chaves (CE)

Daniel Pontes (CE)

Daniela Dib (SP)

Gisa Araújo (SP)

Henrique Fujikawa (SP)

Jhonatan D`Freitas (CE)

Kaique Jorge (CE)

Lenec Mota (BA)


Letícia dos Santos (CE)

Lucas Melo (CE)

Lui Le Blanc (SC)

luk1nh4z (CE)

Marcella Sayonara (CE)

Marcos Vieira (CE)

Marilene Ribeiro (MG)

Marina Feldhues (PE)

Martín Zenorini (SP)

Meysa Medeiros (RN)

Mylena Tiodosio (DF)

Naiana Magalhães (CE)

Nívia Uchôa (CE)

OJÚ OBÁ KARIRI (CE)

Paula Giordano (PA)

Paulo Reis (MA)

Ricardo Peres (SP)

Samy Sfoggia (RS)

Vinicius Xavier (BA)

Vitu Kira (CE)

QXAS – Edição 2025

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SILAS DE PAULA

Silas de Paula (n. 1950, Castelo — ES) é um fotógrafo e pesquisador brasileiro radicado no Ceará, cuja carreira atravessa prática fotográfica, docência e curadoria. Doutor pela University of Loughborough (Inglaterra), atuou como professor no Instituto de Cultura e Arte da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenou linhas de pesquisa em Fotografia e Audiovisual — funções que o colocaram como referência para gerações de fotógrafos no Nordeste.
Seu trabalho fotográfico mistura registro documental com uma sensibilidade voltada para a memória, a cultura local e as práticas visuais cotidianas. Ao longo das décadas, Silas participou de salões e mostras tanto no Brasil quanto no exterior, construindo um repertório que dialoga com a história visual do Nordeste e com questões de arquivo e preservação da imagem. Essa postura também o levou a assumir cargos de gestão cultural — entre eles direção do Instituto Dragão do Mar e, mais recentemente, direção do Museu da Imagem e do Som Chico Albuquerque (MIS-CE).

Como pesquisador e professor, Silas publicou e orientou trabalhos sobre fotografia documental, memória e cultura visual. Sua trajetória acadêmica e curatorial influenciou eventos e ciclos de fotografia em Fortaleza (por exemplo, a organização/curadoria de mostras do festival DiVerCidade e participação em iniciativas como o IFoto-CE), consolidando-o como articulador no circuito cultural local.

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SIMONNETA PERSICHETE

Doutora em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2001) e bacharel em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Mestre em Comunicação e Artes pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, integra o Grupo de Pesquisa Comunicação e Cultura Visual, do CNPq (2006), e é responsável pelo Projeto de Pesquisa Fotografia, Jornalismo e Identidade, ambos do Programa de Pós-graduação-Mestrado em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero.
Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em Fotojornalismo, atuando principalmente nos seguintes temas: comunicação, jornalismo, fotojornalismo, imagem e tecnologia da imagem.

É também professora da graduação (Fotojornalismo) e da pós-graduação lato sensu (A Imagem Fotográfica no Jornalismo) da Faculdade Cásper Líbero.
É autora de livros, capítulos de livros e artigos científicos na área. Entre os principais obras estão: Encontros com a fotografia (Fortaleza/São Paulo: Tempo d’Imagem, 2009), Imagens da fotografia brasileira (Vols. 1 e 2. São Paulo: Estação Liberdade/Senac, 1997/2000) e Mídia e comunicação contemporânea: relatos de pesquisas (São Paulo: Plêiade, 2012), organizado com Edilson Cazeloto e Luís Mauro Sá Martino.

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Maria José da Costa Braz

Maria José da Costa Braz iniciou sua trajetória na fotografia em 1980, transformando o que começou como um hobby em uma profissão marcada por afeto e memória.

Formada no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em 1979, ela encontrou na câmera Olympus Trip 35 — presente do marido, Manuel Agostinho — o instrumento para registrar as celebrações da vida cotidiana em Quixadá e região. Durante mais de quinze anos, percorreu casas, escolas e distritos, fotografando batizados, aniversários, casamentos, crismas e festas populares, acompanhando o crescimento das crianças mês a mês.
Toda semana viajava a Fortaleza para revelar os filmes no laboratório Esdras, trazendo de volta as imagens que eternizavam momentos únicos. Em 1991, ampliou seu ofício com filmagens, dando origem ao estúdio Foto Emanuel e Rafael Produções, batizado em homenagem aos filhos.

Com olhar sensível e dedicação incansável, Maria José tornou-se guardiã das lembranças de uma geração. Suas fotografias atravessam o tempo como testemunhos de amor, fé e pertencimento, compondo o retrato vivo de uma comunidade que aprendeu a se ver e a se reconhecer por meio de suas imagens.